OLHO POR OLHO 👁️👁️ • web novela
CAPÍTULO 24
criada e escrita por: João Vitor Dias
autorização especial: LRTv
abertura: https://youtu.be/8ahdCMMC57M?si=XE4K_o8Bz-YIhljX
CENA 01. INT. – SALÃO PRINCIPAL – RESORT EM ANGRA DOS REIS – MADRUGADA. Os fogos ainda iluminam o céu lá fora, estourando em cores vibrantes sobre o mar escuro. Dentro do salão, a festa continua animada, mas com um ar de cansaço pós-meia-noite. Convidados dançam ao som de uma banda de jazz suave, taças tilintando, risadas ecoando. Fabiana e Beatriz estão em um canto reservado, afastadas da multidão, sentadas em uma mesa discreta com garrafas de champanhe pela metade. Fabiana, ainda com o cabelo loiro platinado impecável, mas o rosto marcado por linhas de frustração, inclina-se para frente, voz baixa e venenosa.
FABIANA ( Ohando ao redor, sussurrando )
Aqueles seguranças… de onde vieram? Eu vi o jeito que eles agiram. Profissionais. Alguém pagou por isso. Alguém sabia que íamos tentar.
BEATRIZ ( Bebendo um gole, tentando manter a compostura, mas os olhos nervosos )
Pode ser coincidência. Cantoras como ela sempre andam com proteção hoje em dia. Paparazzi, fãs loucos… Mas o cara que eu contratei disse que ela recusou o convite pro “brinde VIP” como se soubesse que era armadilha. E o Lucas aparecendo do nada? Seu funcionário bonitinho…
FABIANA ( Interrompendo, apertando os olhos)
Lucas. Ele estava lá, sim. Olhando tudo como se fosse o dono da festa. Eu não confio nele. Nunca confiei de verdade. Aloísio o promoveu rápido demais, Laura anda grudada nele… Tem algo errado.
Beatriz se recosta na cadeira, cruzando as pernas, o vestido vermelho agora amassado.
BEATRIZ
Então investigue. Você tem dinheiro pra isso. Mas não me meta mais nisso. Eu já arrisquei minha reputação contratando essa mulher pro show só pra facilitar as coisas pra você. Se ela abrir a boca sobre o passado…
FABIANA ( Vrando o rosto devagar, voz gelada )
Ela não vai. Porque eu cuido dela. E de quem a protege. Mas primeiro, o Freitas. Ele sumiu depois de me deixar na estrada. Meu contato disse que o carro dele foi encontrado vazio, perto da praia. Se ele estiver morto, ótimo. Um problema a menos.
Beatriz ergue uma sobrancelha, surpresa, mas não chocada.
BEATRIZ
Você mandou matar o ex-marido no Natal? Que festivo.
FABIANA
(sorrindo sem humor, pegando o celular)
Não no Natal. Na véspera do Ano Novo. Poético, não? Agora, me diga: você viu pra onde a Maria do Rosário foi depois do show?
BEATRIZ
(olhando para o palco vazio)
Pro quarto dela, acho. Com aqueles seguranças. Mas a noite ainda não acabou. Tem mais uma rodada de apresentações. Quem sabe ela não volta pro bis?
Fabiana assente devagar, os olhos fixos no palco. A tensão no ar é palpável, como se o salão inteiro soubesse que algo maior está prestes a explodir.
CORTA PARA:
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CENA 02. INT. – QUARTO DE HÓSPEDES – RESORT EM ANGRA DOS REIS – MADRUGADA.
Maria do Rosário está sentada na penteadeira, removendo a maquiagem pesada do show, o longo brilhante ainda no corpo. Gabriel (como Lucas) anda de um lado para o outro, terno desabotoado, celular na mão, verificando mensagens. Os dois seguranças estão do lado de fora da porta, vigilantes. O som distante dos fogos e da música penetra pelas janelas abertas.
MARIA DO ROSÁRIO
(olhando pelo espelho para ele, voz suave mas preocupada)
Gabriel, para de andar. A gente escapou dessa. O show foi um sucesso, ninguém me tocou. Agora descansa. Amanhã a gente volta pro Rio e você começa a botar o plano em ação de verdade.
GABRIEL
(parando, virando-se para ela, olhar intenso)
Não é tão simples, tia. Elas falharam uma vez, mas Fabiana não para. Eu vi o jeito que ela olhou pra você durante o show. Como se estivesse planejando o próximo passo. E o Freitas… ele reapareceu pra ela. Eu sei porque mandei rastrear o celular dele. Ele a confrontou na estrada.
Maria do Rosário para de remover a maquiagem, virando-se na cadeira.
MARIA DO ROSÁRIO
Freitas? O ex dela? O mesmo que…
GABRIEL
(assentindo, voz baixa)
O mesmo que matou minha mãe achando que era ela. Ele sabe da verdade agora. E sumiu depois de falar com Fabiana. Morto, provavelmente. Ela não deixa pontas soltas.
MARIA DO ROSÁRIO
(emocionada, levantando-se e se aproximando dele)
Meu Deus, Gabriel… Isso tá virando uma bola de neve. Você juntou provas, sim, mas e se ela descobrir quem você é antes da polícia agir? Você tá no meio da família dela, trabalhando pro marido…
GABRIEL
(pegando as mãos dela, tentando tranquilizá-la)
É por isso que eu tô aqui. Pra minar por dentro. Eu tenho os documentos, as transferências bancárias de 2012, testemunhas que sobreviveram àquela fazenda. Amanhã eu entrego tudo pro delegado. Mas hoje… hoje a gente finge que tá tudo bem. A festa ainda rola lá embaixo. Eles pediram um bis seu, né?
MARIA DO ROSÁRIO
(sorrindo fraco, mas hesitante)
Pediram. Uma música sertaneja, pra animar o pessoal. Mas eu não sei se devo voltar pro palco. Com elas lá…
GABRIEL
(sorrindo pela primeira vez, encorajando)
Vai sim. Mostra pra elas que você não tem medo. Canta algo forte, algo que lembre da Janice. Os seguranças vão estar lá. E eu também.
Maria do Rosário respira fundo, assentindo devagar. Ela se levanta, ajusta o vestido e pega o microfone de reserva.
MARIA DO ROSÁRIO
Tá bem. Pelo menos vai ser uma noite inesquecível.
Eles se abraçam brevemente, o peso da vingança pairando no ar.
CORTA PARA:
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CENA 03. INT. – PALCO PRINCIPAL – RESORT EM ANGRA DOS REIS – MADRUGADA.
O salão ainda pulsa com energia, mas mais contida agora, com convidados sentados em mesas ou dançando devagar. Beatriz sobe ao palco rapidamente, microfone na mão, forçando um sorriso radiante apesar da frustração interna.
BEATRIZ
(anunciando, voz animada)
Queridos convidados, que Natal incrível! Mas a noite não acaba sem um bis da nossa estrela. Vamos aplaudir Maria do Rosário, voltando pro palco com um clássico sertanejo pra fechar com chave de ouro!
Aplausos ecoam. Maria do Rosário sobe ao palco novamente, agora mais confiante, os holofotes iluminando seu rosto determinado. Os dois seguranças posicionam-se discretamente nas laterais. Gabriel fica na plateia, perto de Aloísio e Laura, que aplaudem animados.
LAURA
(para Gabriel, sussurrando animada)
Ela é incrível, né? Adorei a primeira apresentação.
GABRIEL
(sorrindo, mas olhos vigilantes)
Sim. Tem uma voz que marca.
Maria do Rosário ajusta o microfone, respira fundo. A banda começa os acordes iniciais de “Evidências”, clássico sertanejo de Chitãozinho & Xororó. Ela começa a cantar, voz potente e emocionada, enchendo o salão:
MARIA DO ROSÁRIO
(cantando)
“Quando eu digo que deixei de te amar, é porque eu te amo… Quando eu digo que não quero mais você, é porque te quero…”
O público se anima, casais se abraçam, alguns cantam junto. Fabiana, de seu canto com Beatriz, observa com ódio disfarçado, os punhos cerrados debaixo da mesa.
FABIANA
(baixo para Beatriz)
Olha pra ela… Cantando como se nada tivesse acontecido. Como se não soubesse que eu sei quem ela é.
BEATRIZ
(baixo, inquieta)
Deixa quieto. Amanhã a gente pensa em outro plano.
Maria do Rosário continua, o refrão explodindo em emoção:
MARIA DO ROSÁRIO
(cantando alto, com paixão)
“Diz que me ama, só uma vez assim… Porque fingir que tudo está bem, não dá mais pra mim!”
Aplausos no final, o salão vibrando. Maria do Rosário agradece, curvando-se, mas seus olhos cruzam com os de Fabiana por um segundo – um olhar de desafio mútuo.
CORTA PARA:
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CENA 04. INT. – CORREDOR DO RESORT – RESORT EM ANGRA DOS REIS – MADRUGADA AVANÇADA.
A festa vai esvaziando, convidados se despedindo aos poucos. Fabiana caminha sozinha pelo corredor em direção à suíte, o celular na mão, digitando furiosamente para seus contatos. O eco dos saltos altos no piso de mármore é o único som. De repente, ela para ao ver uma figura ao final do corredor: Gabriel, encostado na parede, como se a esperasse.
FABIANA
(parando, voz surpresa mas controlada)
Lucas? O que você tá fazendo aqui? A festa acabou.
GABRIEL
(se aproximando devagar, sorriso frio)
Só garantindo que tudo corra bem, senhora Fabiana. Seu marido me pediu pra ajudar na organização. E eu vi… vi o que aconteceu depois do show.
Fabiana trava, os olhos se estreitando. Algo no tom dele a incomoda profundamente.
FABIANA
(voz baixa, tensa)
O que você viu exatamente?
GABRIEL
(parando a um metro dela, olhar fixo)
Vi um homem tentando levar a cantora pra um “brinde VIP”. Vi seguranças intervindo. E vi você olhando tudo, como se fosse pessoal.
Fabiana ri seco, mas o riso morre rápido. Ela se aproxima mais, estudando o rosto dele.
FABIANA
(sussurrando, venenosa)
Você é esperto demais pro seu próprio bem, Lucas. Ou… não é Lucas, né?
Gabriel não pisca. O ar fica elétrico, tensão palpável.
FABIANA
(continuando, voz trêmula de realization)
Os olhos… Esses olhos eu conheço. Da criança que sobrou naquela fazenda. Gabriel. Filho da Janice.
Gabriel sorri devagar, confirmando sem palavras. Fabiana dá um passo atrás, o rosto pálido, mão tremendo ao pegar o celular.
FABIANA
(voz rouca, aterrorizada)
Você… você veio se vingar.
GABRIEL
(voz gelada, aproximando-se)
Olho por olho, Fabiana. E o seu tempo acabou.
Eles se encaram, o corredor silencioso como um túmulo. Fabiana aperta o botão de emergência no celular, mas é tarde – a porta atrás dela se abre, revelando os seguranças de Gabriel. O embate começou.
FIM DO CAPÍTULO

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