Alvorada: Capítulo 06

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Capítulo 6

Original de: Caridad Bravo Adams
Adaptada e escrita por: Jair Vargas
Autorização especial: LRTv

Abertura: https://youtu.be/B-kNvmAsIpg?si=CA0BNHeeQZU-9KD8

Cena 1: [EXT. RIO. DIA]

Elias (9 anos) caminha ao lado de Paola e Gael, que também estão tristes com a partida de Daniel para o exterior. Os dois chegam no pequeno rio de água cristalina que corta as duas fazendas. Paola se aproxima de Elias.


PAOLA: Tenho certeza que onde que o Daniel estiver, ele vai estar pensando na gente também, Elias… e acho que ele não gostaria de ver você triste assim.


DANIEL: Acho que nunca mais vamos ver ele…


Gael se aproxima e abraça Elias.


GAEL: Ele vai voltar, Elias… mas enquanto ele não volta… estou aqui… eu e a Paola.


Elias esboça um pequeno sorriso. Gael e Paola o abraçam ao mesmo tempo. As crianças caminham para a beira do rio no qual juntos entram na água. Um começa a jogar água no outro até que mergulham ao mesmo tempo, sorrindo. Quando voltam à superfície já podemos vê-los crescidos. Paola (24), Gael (26) e Elias (24) saem sorrindo.

(15 ANOS DEPOIS)

[CORTA PARA]

Cena 2: [EXT. CAMPOS DE CANA-DE-AÇÚCAR – DIA]

O sol forte castiga os campos de cana-de-açúcar. ELIAS (24, forte, mas com um ar melancólico, vestindo roupas de trabalho) trabalha arduamente, cortando a cana. Seu corpo é resistente, mas seus olhos revelam uma tristeza profunda e uma solidão constante.

[CORTA PARA]
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Cena 3: [INT. ESCRITÓRIO DA FAZENDA MALDONADO – DIA]

AUGUSTO (Envelhecido, com sinais visíveis de alcoolismo), com uma garrafa de whisky na mão, grita com Elias, que entra no escritório. CARMELA (elegantemente vestida, mas com um ar de frieza e desprezo) observa a cena com um sorriso disfarçado.


AUGUSTO(Com a voz arrastada): Você é inútil! Um parasita! Igual à sua mãe!


ELIAS (Com a voz calma, mas cheia de dor): Pai, por favor!


CARMELA (Com um tom de voz que beira o escárnio): Seu pai tem razão, Elias. Você é a prova viva da traição de sua mãe.


Elias aperta os punhos, mas se cala.


[CORTA PARA]

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Cena 4: [EXT. CIDADE DE DOIS MONTES – DIA]

Elias caminha pela cidade. As pessoas se afastam, cochicham ao vê-lo. A má reputação, imposta por Alma e alimentada por Carmela, o persegue como uma sombra.


VOZ DE MORADOR 1 (O.S.): Lá vai o filho daquela lá… não deve ser coisa boa, assim como a mãe. Eu não confiaria minha filha a ele jamais.


VOZ DE MORADOR 2 (O.S.): Tem que ter cuidado mesmo, ele traz desgraça.


Elias abaixa a cabeça, acostumado, mas ainda ferido com tudo o que ouve. Em seus olhos, algumas lágrimas brotam.

[CORTA PARA]

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Cena 5: [INT. CASA DE LUÍS E AMPARO – DIA]

LUÍS (50s, engenheiro da usina, homem íntegro) e AMPARO (50s, costureira, mulher forte e carinhosa), padrinhos de Elias, o recebem com um abraço caloroso. O ambiente é simples, mas acolhedor.


LUÍS (Acariciando os cabelos de Elias): Não dê ouvidos a essas bobagens, meu filho. Você é um homem de bem. Nós sabemos quem você é…


AMPARO (Servindo um pedaço de bolo): Aqui você tem um lar, Elias. Sempre terá… eu e seu padrinho te amamos muito, viu?!


Elias concorda. Amparo beija a testa do afilhado.

[CORTA PARA]

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Cena 6: [INT. COZINHA DA FAZENDA MALDONADO – DIA]

Dolores, envelhecida, mas com o mesmo olhar perspicaz, oferece um prato de comida a Elias. Ela o olha com carinho e preocupação.


DOLORES (Com a voz suave): Coma, meu menino. Você precisa de força para aguentar essa cruz.


Elias sorri fracamente para ela. Ele tenta ser forte em mais um dia.

[CORTA PARA]

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Cena 7: [INT. QUARTO DE AUGUSTO – NOITE]

Augusto, bêbado, com a garrafa de whisky vazia ao lado, desmaia na cama. Carmela entra no quarto, olha para ele com desprezo e murmura.


CARMELA (Para si mesma): Inútil… Pelo menos ele me serve para algo.


Ela o cobre com um lençol, com um ar de falsa solicitude. Seus olhos são pura maldade.


CARMELA: Logo logo estarei livre de você, Augusto.


Augusto balbucia algumas palavras, mas o álcool o deixa desacordado rapidamente.


[CORTA PARA]

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Cena 8: [EXT. FAZENDA MALDONADO – NOITE]

Elias, sentado na varanda, olha para as estrelas. Seu rosto reflete a solidão. Ele sente falta da mãe, da amizade com Daniel.


ELIAS (Sussurrando para o vazio): Quando a dor vai passar? Parece que a cada novo dia, a cada novo ano tudo isso só aumenta mais e mais.

[CORTA PARA]

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Cena 9: [INT. SALA DE JANTAR DA FAZENDA MALDONADO – DIA]

Carmela está sentada à mesa, comendo sozinha. Seu rosto é uma máscara de falsa resignação. Ela se lembra de um momento em que Augusto, já alcoolizado, repetia as palavras que ela havia plantado em sua mente.


AUGUSTO (MEMÓRIA): Elias… fruto da traição… filho daquela mulher…


Carmela sorri de canto de boca, por ora satisfeita com a dúvida eterna plantada no coração de Augusto, que rejeita Elias.


[CORTA PARA]

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Cena 10: [EXT. PONTAL DO RIO – DIA]

Elias está sentado na beira do rio, atirando pedrinhas na água. Ele se lembra de Estefânia e de Daniel. A imagem dos três correndo pelos campos, felizes, vem à sua mente. Ele suspira.


ELIAS (Para si mesmo)

Sinto tanto a falta de vocês. É como se realmente um pedaço de mim fizesse falta… tivesse partido para sempre.


Elias deixa as lágrimas caírem, pensando na mãe e em Daniel.

[CORTA PARA]

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Cena 11: [INT. CASA DE LUÍS E AMPARO – NOITE]

Elias, Luís, Amparo e Dolores estão reunidos, conversando. O ambiente é de carinho e apoio. Elias se sente seguro ali.


LUÍS (Com um olhar de determinação): Nós vamos te proteger, Elias. Contra tudo e contra todos. Você sabe que sempre estaremos aqui pra você.


AMPARO (Pegando a mão de Elias)

Você não está sozinho, meu filho. Nunca estará, sabe disso.


DOLORES (Com um olhar penetrante)

E a verdade… a verdade sempre vem à tona… esteja certo disso.


Elias os olha, um vislumbre de esperança em seus olhos tristes.


(FIM DO CAPÍTULO)

Avaliação: 1 de 5.

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