MAR ABERTO 🌊 | web novela
CAPÍTULO 07
criada e escrita por: Ruan Ferreira
autorização especial: LRTV
Abertura: https://youtu.be/jmBUDjDyPwE?si=giUoAGU9uhatFdLs
CENA 1. CASA DE DALVA – SALA – DIA
Dalva desesperada diante de Clara, magoada.
DALVA: Você não vai embora assim. A gente precisa conversar, minha filha. Eu errei, sei que errei, mas…
CLARA: Não me chama assim, Dalva. Eu não sei quem eu sou, mas sei que não sou sua filha.
As palavras de Clara batem como um soco em Dalva, que respira fundo, sentindo a mágoa de Clara.
DALVA: Eu só quis te proteger. (clamando) Me perdoa, Clara. Eu te imploro. Devia ter contado a verdade sim, mas eu morri de medo. Medo de te perder, medo de você olhar pra mim desse jeito que tá olhando agora.
CLARA (raiva): Você me deixou crescer acreditando numa mentira! Todas as histórias, todas as lembranças, tudo… Era só invenção pra tapar um buraco!
DALVA (chora): Não! Nada foi invenção! Eu te dei amor de verdade, te dei a vida que eu podia…
Dalva tenta tocar o rosto da garota, mas Clara recua um passo.
CLARA: Não tô dizendo que você não me amou, mas mentiu pra mim o tempo todo. E isso não consigo perdoar. Quem ama de verdade, não mente dessa forma. (passa a mão no rosto) Preciso de um tempo, de entender tudo que aconteceu comigo e principalmente, descobrir quem eu sou nessa vida.
Dalva perdendo as forças.
DALVA: Pelo amor de Deus, me diz o que eu faço pra você ficar. Eu faço qualquer coisa… Qualquer coisa.
Clara abaixa a cabeça, lágrimas caindo silenciosamente.
CLARA: Nada do que você fizer vai apagar a mentira. Eu… Eu não posso ficar aqui agora. Volto quando estiver pronta. Quando o meu coração estiver pronto pra te receber de volta.
Clara sai dali. Dalva cai no choro intenso. Um soluço arrebentando o peito. Câmera saindo por cima.
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CENA 2. RIO DE JANEIRO – ANOITECER
O Pão de Açúcar ao fundo, banhado pela luz laranja do fim de tarde. No Aterro do Flamengo, corredores e ciclistas terminando o dia, enquanto as luzes dos faróis começam a iluminar as avenidas e ruas cariocas. O Cristo Redentor iluminando por completo quando o céu escurece. Sequência finaliza na fachada da mansão Marins, com uma moto entrando no local.
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CENA 3. MANSÃO MARINS – SALA DE JANTAR – NOITE
Mesa posta. Estela e Pedro servindo-se de vinho, enquanto João Felipe troca olhares com Isabel, não muito contente em estar ali. Lucas entra, carregando um capacete, suado da rua. Para ao ver Caroline o aguardando.
LUCAS (engolindo seco): Boa noite… Não sabia que tínhamos visitas.
JOÃO FELIPE (sorri): Visita nenhuma. Estamos todos em família, Lucas.
CAROLINE: Oi, Lucas.
Lucas tenta sorrir, desconfortável. Pedro aponta uma cadeira.
PEDRO: Senta, Lucas. O jantar já está sendo servido. O banho pode ficar pra depois.
Insatisfeito, Lucas senta ao lado de Caroline, na mesa. Estela observa, inquieta.
PEDRO: Seus tios vieram aqui esta noite pra uma conversa importante. (encara Lucas) Nós vamos formalizar seu noivado com a Caroline.
Lucas arregala os olhos, em choque. Caroline sorri, mas espera sua reação.
JOÃO FELIPE: Isso mesmo, garoto! Um passo importante pra sua vida. (encara Pedro) E pra manter as famílias ainda mais unidas, né, Pedro?
LUCAS: Pai… Você tá falando sério? Do nada? Assim?
PEDRO: Não é “do nada”, Lucas. Você precisa assumir responsabilidades, já passou da hora. E Caroline merece alguém comprometido, que vá fazê-la feliz. E isso eu garanto, Carol… O Lucas VAI fazer você feliz!
Lucas engole seco, encara todos ali, por fim, Caroline, que o encara ansiosa.
CAROLINE: Lucas, sei que as coisas ficaram meio turbulentas ontem. Mas eu ainda acredito na gente.
Lucas passa a mão pelo rosto, tenso.
LUCAS: Carol, não é sobre ontem. É sobre tudo. Eu tô… Tô cheio de coisas na cabeça, não acho que seja hora de falar em noivado.
JOÃO FELIPE (pressionando): Caroline é uma moça formidável, meu sobrinho. E vocês dois já tem uma história. Agora nada mais natural que se dê o próximo passo.
ESTELA: Depois do vexame de ontem, seria no mínimo, um gesto nobre você firmar o compromisso, Lucas. Mostrar maturidade. Nisso, concordo com o seu pai.
Estela e Pedro trocam olhares frios. Lucas respira fundo irritado.
PEDRO (autoritário): Chega, Lucas! Você não tem escolha. Esse compromisso é importante para as duas famílias. Você não vai jogar fora essa oportunidade com imaturidade. E não será nenhum sacrifício, a Caroline adora você.
LUCAS: Maturidade não é casar correndo porque você acha importante, pai.
Lucas encara Caroline. Ela cheia de esperança e medo.
CAROLINE: Eu realmente gosto de você, Lucas. Estou disposta a passar por cima de todas as suas inconsequências, pra sermos felizes juntos. Eu quero que dê certo, por nós dois!
Lucas percebe que está cercado por todos os lados. Respira fundo, derrotado.
LUCAS (cedendo): Tá bom. Se é isso que todo mundo quer… (engole seco) Eu aceito o noivado.
Caroline solta o ar em um sorriso emocionado. Levanta e o abraça com carinho.
CAROLINE: Você não sabe como eu tô feliz! Eu te amo, Lucas!
Ela o beija. Lucas corresponde sem muito entusiasmo. Isabel e Estela trocam olhares não muito satisfeitos. Pedro ergue uma taça de vinho.
PEDRO: Então brindarmos. Ao noivado de Lucas e Caroline e ao futuro da família Marins.
Todos erguem as taças. João Felipe sorri de canto, adorando o momento. Lucas, relutante, ergue a dele por último, nada feliz.
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CENA 4. ARRAIAL DO CABO – RODOVIÁRIA – NOITE
A pequena rodoviária está movimentada. Clara carregando uma mochila grande, abraçada com Tiago, enquanto Gabi e Vó Nena observam com tristeza.
TIAGO (voz embargada): Promete que vai ligar quando chegar no Rio?
CLARA (tentando sorrir): Prometo. Só preciso respirar, Tiago. Pensar longe disso tudo.
Gabi a abraça, segurando as lágrimas.
GABI: Eu te amo, garota. Você tá sendo muito corajosa… E muito maluca também. Mas vai! Vai encontrar você mesma.
CLARA (sorri emocionada): Eu volto pra ver vocês, um dia. Eu juro!
Vó Nena se aproxima devagar, segurando a mão de Clara.
VÓ NENA: O mundo é grande, mas seu coração ainda é maior, Clara. Vai sem medo, mas não leva mágoa no peito. Mágoas são como âncoras, e nesse mar aberto que você está prestes a entrar, só servem pra afundar você de vez!
Clara assente com a cabeça. O ônibus encostando no box, enquanto o motorista vai abrindo o bagageiro. Clara respira fundo. Tiago baixa a cabeça e Clara o beija no rosto. Quando coloca o pé no primeiro degrau, uma voz rasgada corta em sua direção.
DALVA (OFF): CLARA!
Clara congela. Todos se viram. Dalva corre, abraçando a filha na porta do ônibus.
DALVA (chora soluçando): Clara, por favor, minha filha, não vai! Não vai embora assim, sem me deixar te abraçar. Sem ao menos me deixar consertar as coisas!
Clara fecha os olhos, respirando fundo, tentando controlar a emoção.
CLARA (voz embargada): Eu não posso… Me deixa seguir o meu destino… Por favor. (segura sua mão) Eu te amo, mas eu preciso ir.
Vó Nena coloca a mão sobre o ombro de Dalva. O motorista buzina, sinalizando a partida. Clara dá um último olhar para todos e entra no ônibus, que fecha a porta. Dalva chorando na plataforma. Tiago a abraça. Clara, do lado de dentro, encosta a testa na janela, e as lágrimas finalmente descem.
CLARA (sussurrando para si): Eu preciso… Eu preciso…
O ônibus se afasta. Dalva se solta do abraço de Tiago e corre atrás do veículo, que ganha estrada. Dalva para no caminho, cai de joelhos, sofrendo pela partida. A câmera se distancia por cima.
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CENA 5. ATLÂNTIDA NÁUTICA – ESTALEIRO – MANHÃ
O Sol nascendo por trás dos galpões metálicos do imenso estaleiro da Atlântida Náutica. Trabalhadores chegando aos poucos, animados, conversando. No alto, as gaivotas sobrevoam o mar calmo. Lucas chega em sua moto, destoando totalmente do ambiente, olha ao redor com cara fechada.
LUCAS: Primeiro dia de tortura…
Pedro surge logo atrás. Cumprimenta alguns funcionários e se aproxima do filho.
PEDRO: Anda, Lucas. Aqui ninguém vai esperar por você.
Lucas o segue, emburrado, enquanto atravessam o pátio em direção ao escritório principal. Na SALA DE GUSTAVO, o gerente levanta para cumprimentá-los, entrando no local.
GUSTAVO: Bom dia, Pedro! Lucas… Pronto para começar?
Lucas responde apenas com um olhar preguiçoso.
PEDRO: Quero meu filho começando por baixo. Nada de sala, mesa ou ar condicionado. Ele vai aprender o valor do trabalho, Gustavo. Cresceu demais achando que o mundo gira ao seu redor.
Lucas vira o rosto, com raiva do pai.
PEDRO: Coloque-o com a equipe de manutenção das embarcações pequenas. A parte mais… Prática.
GUSTAVO (hesitando): Isso significa… Oficina de casco, né? Limpeza, lixamento, pintura inicial…
PEDRO: Exatamente.
LUCAS (indignado): Pai, eu não vou lixar casco de barco! Você enlouqueceu?!
PEDRO (duro): Você vai fazer o que eu mandar. A partir de hoje, acorda cedo, cumpre horário, aprende com quem realmente rala. (pausa) Ou pode esquecer qualquer futuro dentro da Atlântida.
Lucas respira fundo, impotente.
GUSTAVO (tentando suavizar): Olha, Lucas, todo mundo começa de algum lugar. Vai ser bom pra você entender o processo. Prometo que a equipe é boa.
Pedro dá um passo em direção à porta.
PEDRO: Gustavo, entregue o uniforme. E certifique-se que ele trabalhe de verdade.
GUSTAVO: Claro, Pedro. Vai em paz.
Pedro lança um último olhar para Lucas, que o fuzila com os olhos.
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CENA 6. ATLÂNTIDA NÁUTICA – GALPÃO DE OFICINA – MANHÃ
Gustavo conduz Lucas até o galpão mais ruidoso e quente do estaleiro. Operários lustram cascos, carregam ferramentas, soldam estruturas. Gustavo entrega um macacão, luvas e óculos de proteção.
GUSTAVO: O uniforme pode trocar ali no vestiário, Lucas.
LUCAS (sarcástico): Legal. Estilo mendigo-chique.
GUSTAVO (rindo): Melhor isso do que sujar sua roupa cara, vai por mim.
Lucas vira os olhos, e sai em direção ao vestiário. CORTE. Gustavo o leva, já uniformizado, para uma embarcação pequena suspensa por uma plataforma.
GUSTAVO: Essa é sua equipe. Pessoal, esse aqui é o Lucas! Novo reforço no time!
Dois funcionários olham para ele com cara de “filhinho de papai”.
OPERÁRIO 01 (irônico): Bem-vindo ao paraíso, campeão!
OPERÁRIO 02: Pega essa lixadeira, irmão. Hoje o dia promete.
Lucas segura a lixadeira sem saber o que fazer. Olhar perdido.
LUCAS (murmurando): Isso só pode ser um pesadelo…
Encara o casco enorme diante dele, suspira fundo, derrotado.
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CENA 7. ATLÂNTIDA NÁUTICA – ESCRITÓRIO JOÃO FELIPE – MANHÃ
Silveira, entrando após uma batida discreta na porta. João Felipe se vira da janela, onde assistia Lucas trabalhar, rindo e segurando um copo de uísque.
JOÃO FELIPE (rindo): Silveira, justo o homem que eu queria ver. (estende o copo) Bebe comigo. Hoje o dia começou melhor do que eu esperava.
SILVEIRA: Humor excelente logo cedo, João. Tem a ver com a nova contratação do estaleiro? Acabei de vir da oficina, fui ver com meus próprios olhos.
JOÃO FELIPE (rindo): Um desastre. Ou melhor, uma obra prima! É o que eu digo desde o início: Lucas não nasceu pra esse império. Agora olha aquilo… Lixando casco de barco, a mando do próprio pai. Ele deve estar furioso!
SILVEIRA: Pedro parece realmente disposto a fazer o filho virar gente.
JOÃO FELIPE: Pedro pensa estar ensinando responsabilidade ao garoto, mas só tá aumentando o abismo entre os dois. (sorri) E eu, Silveira, estou mais do que disposto a empurrar esse abismo um pouco mais.
SILVEIRA: Você diz… Afastar o príncipe herdeiro da Atlântida?
JOÃO FELIPE (bebendo um gole): Completamente. Quero ver o meu irmão sozinho, sem herdeiros capazes. Sem ninguém pra continuar o legado dele. E quando ele finalmente reconhecer que o filho é um fracasso completo… Tarde demais.
Volta a olhar para Lucas trabalhando com dificuldade, sorri.
JOÃO FELIPE: E tem mais. (encara) Caroline vai engravidar daquele garoto. Ela vai gerar o herdeiro dos Marins. Pedro pode até tirar Lucas da empresa, mas nunca vai poder romper com o próprio neto. E quando esse neto crescer, Silveira, adivinha quem vai estar pronto para comandar tudo isso?
SILVEIRA: Você?!
João Felipe ergue o copo e sorri, planejando.
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CENA 8. RIO DE JANEIRO – RODOVIÁRIA NOVO RIO – MANHÃ
Ônibus entrando e saindo em fluxo constante. Toda a movimentação de vozes e pessoas no caos da rodoviária. De um ônibus recém-chegado de Arraial do Cabo, Clara desce carregando a mochila nas costas e uma pequena mala de rodinhas. Olha o movimento caótico, respira fundo. Enquanto tenta entender para onde ir, abre o celular para chamar um carro de aplicativo. Caminha distraída em direção à calcada externa da rodoviária. De repente, dois garotos magros se aproximam rapidamente, um deles esbarra nela propositalmente.
CLARA: Opa, cuidado!
Segura a bolsa instintivamente, mas o outro garoto já está colado nela.
GAROTO 1: Ei, moça, que horas são aí?
Clara ergue o celular para olhar, mas em um descuido, o segundo garoto puxa o aparelho com força de sua mão. O movimento é tão rápido que ela não entende de imediato o que aconteceu.
CLARA: Meu celular!
O outro garoto puxa sua mochila e carrega também. Ela tenta correr atrás dos dois pivetes, que já dispersaram em direção à rua, se esquivando entre carros e passageiros.
CLARA (desesperada, gritando): SOCORRO! Eles levaram a minha bolsa! O meu celular!
Algumas pessoas olham, mas ninguém corre atrás. Clara ofegante, no meio da calçada, mistura de choque, medo e raiva. Seus olhos enchem de lágrimas, aperta a alça da mala, tentando conter o desespero.
CLARA (chorando): Meu dinheiro, meu Deus… Eles levaram todo o meu dinheiro!
Clara desesperada.
A imagem congela em CLARA e as águas do mar cobrem a tela.
(FIM DO CAPÍTULO)

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