MAR ABERTO 🌊 | web novela
CAPÍTULO 09
criada e escrita por: Ruan Ferreira
autorização especial: LRTV
abertura: https://youtu.be/jmBUDjDyPwE?si=aYhd4nIYpW9VczW6
CENA 1. MANSÃO MARINS – SALA – NOITE
Pedro levanta, surpreso, encarando Estela.
PEDRO: Separar? Você pensa em pedir o divórcio, Estela? Nós estamos casados há mais de vinte e cinco anos.
ESTELA (interrompe): E tem pelo menos vinte que eu estou infeliz, Pedro. Eu cansei de sofrer, de esperar uma mudança sua, um diálogo, uma presença. (olhos marejados) Eu quero um marido de verdade.
Estela chora. Pedro se aproxima dela, ficando em sua frente, abaixado.
PEDRO (tocado): Eu não quero te perder. (segura suas mãos) Deixa eu tentar consertar isso, mesmo que demore. Que seja difícil.
ESTELA (cabeça baixa): Eu ainda te amo, Pedro… Mas amar tem me machucado demais.
Pedro toca o rosto dela, com delicadeza. Se encaram a poucos centímetros, ele vai se aproximando e se beijam, em meio ao choro. Pedro a abraça forte, ela apoia a cabeça em seu ombro.
ESTELA: Eu tô cansada de remar sozinha, Pedro. Tô remando em mar aberto, e não consigo te ver do meu lado. Tô tentando manter essa família, mas eu cansei. Cansei…
PEDRO: Eu sei que não tenho sido o marido que você esperava, nem o pai que talvez o Lucas precisasse, mas eu amo a minha família. Eu amo você! E isso importa!
Estela levanta, vai até a janela, fica olhando para o lado externo por um momento. Pedro esperando sua reação.
PEDRO: Estela…
ESTELA (se vira): Você promete tentar mudar? Promete que vai tentar fazer diferente?
PEDRO (respira fundo): Eu vou tentar, Estela. Eu preciso tentar.
Os dois se olham por um instante. Ela acena positivamente com a cabeça e ele a abraça. Os dois abraçados, tentando superar.
ESTELA: Eu não quero ter que voltar atrás na decisão de ficar, Pedro. Mas você precisa querer ficar também.
PEDRO: Eu quero, meu amor… Eu quero.
Se olham com intensidade. A câmera vai buscar na ponta da escada, Cecília, que sorri aliviada com a reconciliação do casal.
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CENA 2. APARTAMENTO DE BIANCA E GUSTAVO – SALA – NOITE
Sala decorada com sofisticação. Televisão ligada sem som, enquanto Bianca arruma distraidamente a mesa de jantar, para dois. Gustavo surge ajustando o relógio de pulso, Bianca o olha com surpresa.
BIANCA: Você vai sair?
GUSTAVO (pegando a chave do carro): A noite de pôquer com os caras do estaleiro. Você esqueceu, amor? A gente combinou.
BIANCA (incomodada): Não combinou hoje. Na verdade, a gente quase nunca combina mais nada, Gustavo.
GUSTAVO: Bianca, não começa… Você sabe que esse jogo é importante. Networking.
BIANCA (encara): Toda semana tem esse maldito pôquer. Só queria jantar com o meu marido, pra variar.
GUSTAVO (bufa): É um problema eu ter vida social agora?
BIANCA: Não. (pausa) É um problema eu não fazer mais parte dela.
GUSTAVO (minimiza): Bobagem… Eu volto tarde, não precisa ficar acordada me esperando.
Gustavo manda um beijo e sai, fecha a porta. Bianca parada no meio da sala, olha a mesa posta, frustrada.
BIANCA (para si): Pôquer… Claro.
Mesmo sem provas, Bianca sente que há algo errado.
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CENA 3. CARRO DE GUSTAVO – NOITE
O carro de Gustavo avança pela cidade. Ele dirige em silêncio, o celular vibra. Olha rapidamente a tela, sorri de canto e atende.
GUSTAVO (cel.): Oi, meu amor. (pausa) Calma, já tô chegando. Tive um aborrecimento com a Bianca, mas eu converso com você pessoalmente. (pausa/ sorri) Bobagem. Beijo bem gostoso…
Gustavo ri e desliga o celular. O carro entra em uma rua menos movimentada, longe dos bairros nobres.
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CENA 4. PRAIA – NOITE
A Lua refletindo no mar escuro. Mais afastados da areia, Lucas e Francisco treinam no mar, com pranchas. Lucas rema com força, visivelmente tenso, para por um instante e senta na prancha, passando a mão pelos cabelos molhados. Francisco se aproximando.
FRANCISCO: Décima quarta vez que você para, Lucão. Vai contar o que tá rolando, ou vou ter que adivinhar?
LUCAS (respirando fundo): O de sempre. (encara) Eu não quero casar, irmão. Muito menos com a Caroline. Acho que eu nunca quis, pra ser sincero.
FRANCISCO (sentando em sua prancha): Então por que aceitou esse noivado maluco?
LUCAS: Porque eu não tenho escolha. Se peitar meu pai agora, tô fora da Atlântida de vez.
FRANCISCO: Acha mesmo que esse teatro vai fazer o seu Pedro confiar em você?
LUCAS: Eu preciso que ele confie, nem que seja por obrigação. Só assim eu saio daquele cargo ridículo no estaleiro… Só assim ele para de me tratar como um moleque.
FRANCISCO: E a Caroline nisso tudo? Ela tá acreditando em conto de fadas, e cara, isso me cheira a cilada das grandes. Casamento forçado, pressão familiar, o tio manipulador… Daqui a pouco, você não vai saber mais onde termina essa mentira e começa a sua vida.
Lucas suspira, encarando a imensidão escura à sua frente.
LUCAS: A Caroline quer esse casamento mais do que qualquer coisa, mas ela tem que entender que não sou eu que tô escolhendo nada. (encara) Mas se eu desistir agora, eu perco tudo: meu pai, a empresa… E qualquer chance de provar que eu não sou um erro.
FRANCISCO (tocando em seu ombro): Só toma cuidado pra não perder você, no meio disso tudo.
Lucas encara o amigo, olha o céu escuro pensativo. A câmera se afasta.
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CENA 5. COBERTURA DE JOÃO FELIPE – ESCRITÓRIO – NOITE
Silveira verificando alguns papéis. João termina de servir duas doses de uísque e entrega um dos copos ao advogado.
JOÃO FELIPE: O garoto acha que o problema dele é o estaleiro. (sorri) Nem imagina o que espera por ele ainda.
SILVEIRA: O que você tá pretendendo, João? Ainda não me disse.
JOÃO FELIPE (sentando, encara): A festa de lançamento da nova linha de jet-skis está chegando. Depois de amanhã. Eu vou colocar nas mãos do Lucas um relatório de custos da nova linha, um documento “ajustado”. Se ele apresentar aquilo ao Pedro… Os números não fecham.
SILVEIRA: Mas você esquece só um detalhe: o Lucas é praticamente um operário dentro do próprio estaleiro. Ele não tem acesso às planilhas.
João Felipe sorri, venenoso.
JOÃO FELIPE: Mas tem acesso aos cálculos de base do projeto. A equipe dele coordena a nova linha, os testes dos novos modelos serão feitos na festa de lançamento.
Silveira sorri, começando a entender o plano.
SILVEIRA: E na ânsia de impressionar o pai, o garoto cai na armadilha. A responsabilidade cai no colo dele.
João levanta o copo de uísque, sorrindo.
JOÃO FELIPE: Pedro odeia erros, amadorismo… Quando perceber que o próprio filho quase causou um prejuízo milionário, a relação deles vira pó, e eu afasto esse moleque de vez da empresa.
SILVEIRA: E se Lucas desconfiar?
JOÃO FELIPE: Não vai. Tá ocupado demais tentando provar que é digno do sobrenome Marins. (sorri) Vai ser um fracasso!
Antes que Silveira responda, a porta do escritório se abre sem cerimônia. Isabel entrando.
ISABEL (interrompendo): Ouvi a palavra “fracasso” do corredor. Algum problema, meu amor?
JOÃO FELIPE (sorri debochado): Ouviu mal, meu bem. (levanta) Silveira já estava de saída, estávamos discutindo negócios da empresa.
Silveira levanta, deixando o copo de bebida na mesa, cumprimenta João e Isabel.
SILVEIRA: Boa noite, Isabel.
Isabel assente. Silveira agarra a pasta e sai. Isabel vai até o bar e se serve de uma dose da mesma bebida. João a analisando.
ISABEL (calculista): Negócios da empresa ou de família?
JOÃO FELIPE: Na Atlântida, dá quase na mesma.
ISABEL (sentando): Imagino que o assunto da vez seja o Lucas… Ele anda se esforçando tanto para agradar o Pedro.
JOÃO FELIPE: Pedro quer endurecer o garoto, acha que assim conserta o filho.
ISABEL: Homens… Sempre acham que a dureza educa. E você? Acha que ele está pronto para assumir as responsabilidades da Atlântida?
JOÃO FELIPE: Acho que cada um revela seu valor quando é testado.
ISABEL: Apesar de eu não aprovar essa relação, Caroline está empolgada com o noivado, seria uma pena se o futuro marido dela, escorregasse logo agora.
JOÃO FELIPE (sorri): Por isso mesmo, eu prefiro não misturar as coisas. Lucas vai aprender no tempo dele, sem interferências.
Isabel analisando o marido, bebe um gole e sorri, sabendo que há algo escondido.
ISABEL (desconfiada): Claro. Cada um com seus métodos.
Deixa o copo sobre a mesa e aproxima de João, ficando bem próxima de seu rosto.
ISABEL: Só não esqueça que erros dentro da Atlântida, nunca ficam restritos a quem os comete. E eu espero que você saiba o que está fazendo, meu bem.
João a encara, sorri afiado.
JOÃO FELIPE: Eu sei… Meu bem.
Sorriem um para o outro, ela o beija e sai do local. João Felipe sozinho, pensativo.
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CENA 6. MANSÃO MARINS – SUÍTE DE PEDRO E ESTELA – NOITE
(Ao som de: Sensível Demais – Marília Mendonça)
Pedro beija o corpo de Estela, deitada na cama. Luz fraca do abajur, iluminando o quarto. Clima de carinho e reconciliação do casal. Beijo apaixonado, e ela deita em seu peito, agarrando sua mão, suspira.
ESTELA: A gente anda se machucando demais, Pedro… Só queria sentir que ainda somos um só.
Pedro acarinha seus cabelos, pensativo.
PEDRO: Eu nunca deixei de te amar, Estela. Vamos tentar consertar as coisas… Prometo.
Estela concorda, o olha por alguns segundos e se beijam novamente, dando mais uma chance para o casamento. A câmera se afastando.
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CENA 7. ARRAIAL DO CABO – CASA DE VÓ NENA – COZINHA – NOITE
Ambiente às escuras, iluminado por algumas velas. Vó Nena senta-se. Mesa redonda, coberta por um pano bordado antigo, diante dela, um baralho de cartas já gasto. Dalva à sua frente, inquieta. Vó Nena embaralhando lentamente.
DALVA: Eu tô com o coração apertado, Vó. É um nó aqui no peito que não desata.
VÓ NENA: Coração de mãe não costuma se enganar, Dalva. Mesmo quando tenta.
Nena para de embaralhar, corta no meio e começa a virar as cartas, uma a uma, no centro da mesa. Encara profundamente.
DALVA: Então, Vó? O que a senhora tá vendo? A minha menina… Ela não tá bem, eu sinto que não. É isso, não é?
Vó Nena a encara, séria.
VÓ NENA: A menina tem uma estrada muito longa ainda. Ela tá longe de casa, vivendo dores que ainda não foram sentidas. (vira outra carta) Clara ainda vai chorar lágrimas de um mar inteiro…
Dalva fecha os olhos, sofrendo com a mão no peito.
DALVA (angustiada): E a culpa é minha. Eu deveria ter poupado ela de tudo isso…
Nena segura sua mão. Dalva com olhos marejados, sentindo.
VÓ NENA: Você deu amor, Dalva. Mas tem destinos que não podem ser desviados, mesmo que sejam adiados por anos. Ninguém escapa do que veio viver aqui.
Dalva chora em silêncio. Vó Nena recolhendo as cartas uma a uma.
VÓ NENA (encara): O mar tira… Mas também devolve. No tempo dele. Acalma teu coração, porque depois do choro, sempre vem a verdade e o reencontro.
DALVA: Queria que Deus protegesse minha menina.
VÓ NENA: Ele está… Do jeito dele, mas está!
Vó Nena abraça Dalva, que chora em seus braços.
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CENA 8. LAPA – BAR – NOITE
Bar continua cheio. Música alta, risadas e copos batendo. Clara atravessa o corredor estreito carregando uma caixa vazia, em direção aos fundos do bar. Quando empurra a porta dos fundos, um CLIENTE (o mesmo que a cantou na mesa) surge atrás dela, sorriso torto.
CLIENTE: Quer ajuda?!
Clara se vira, assustada, olhos arregalados.
CLARA (engolindo seco, nervosa): Não! Se tá procurando o banheiro, é lá dentro.
Ela tenta passar, mas ele bloqueia a passagem, sorrindo. Ela assustada, encarando.
CLARA: Me deixa passar, ou eu grito!
CLIENTE (rindo): Calma, princesa. Vim aqui pra gente conversar mais sossegados, longe daquele barulho todo lá dentro. Não precisa ficar nervosa.
Ele dá um passo em direção à ela, que recua, ofegante. Ele a prensando na parede do corredor.
CLIENTE: Chegou à pouco tempo na cidade, não é? (sorri) Andei me informando com a velha. (passa a mão no rosto dela) Bem bonitinha… Cê chegou a pouco tempo, mas tem que aprender tratar bem o freguês…
Ele encosta o rosto próximo de sua orelha. Clara ofegante, enojada.
CLIENTE (ri nojento): Não sabe que o freguês sempre tem razão?
Clara tenta gritar, mas ele cobre sua boca, e segura os pulsos da garota com força. Clara em pânico, desesperada tenta se debater e soltar, mas virou refém do abusador.
A imagem congela em CLARA e as águas do mar cobrem a tela.
(FIM DO CAPÍTULO)
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