Olho por Olho: Capítulo 29

OLHO POR OLHO 👁️👁️ • web novela
CAPÍTULO 29

Criada e escrita por: João Vitor Dias
autorização especial: LRTv

abertura: https://youtu.be/8ahdCMMC57M?si=xliF3XyoFoXQ_671

CENA 01. INT. – DELEGACIA DA POLÍCIA FEDERAL – RIO DE JANEIRO – TARDE DE 6 DE JANEIRO DE 2026.

A sala de espera está cheia de jornalistas do lado de fora, flashes estourando pelas janelas. Dentro, Fabiana, ainda de roupas elegantes mas algemada, senta ao lado do seu advogado caro. Aloísio está em pé, rosto vermelho de raiva e confusão, falando alto com o delegado responsável.

ALOÍSIO
(voz elevada, gesticulando)
Isso é um absurdo! Minha esposa não tem nada a ver com essas acusações antigas. Falsificação? Associação criminosa? E tentativa de homicídio? Quem acusou ela disso? Eu pago os melhores advogados do país, delegado. Vou tirar ela daqui hoje mesmo. Pode haver uma confusão de identidades, documentos errados… Eu conheço a Fabiana há anos!

DELEGADO
(calmo, mas firme)
Senhor Albuquerque, as provas são sólidas. Documentos de 2012, transferências bancárias, testemunhas. E o atentado na estrada contra sua filha e o funcionário da sua empresa. Não é confusão. É crime grave.

Fabiana olha para Aloísio com olhos marejados, voz doce e vítima.

FABIANA
(fraca, tocando a mão dele)
Amor… eu juro que é engano. Alguém tá armando contra mim. Me tira daqui, por favor.

Aloísio assente, convencido pela atuação dela, virando-se para o advogado.

ALOÍSIO
Faz o que for preciso. Habeas corpus, fiança, o que tiver. Ela não fica aqui nem mais uma noite.

O advogado assente, já digitando no tablet. Fabiana baixa a cabeça, escondendo um sorriso mínimo.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 02. INT. – CORREDOR DA DELEGACIA – MESMA TARDE.

Laura, ainda com curativo discreto na testa, espera sentada numa cadeira. Gabriel está ao lado, braço enfaixado. Ela se levanta quando vê o pai saindo com Fabiana (já solta provisoriamente pelo advogado).

LAURA
(abordando Fabiana, voz preocupada)
Fabiana… eu ouvi tudo. Eu vou ajudar no que puder. Você sempre foi boa pra mim.

Fabiana abraça Laura, fingindo emoção.

FABIANA
Obrigada, minha filha. É só um mal-entendido horrível.

Laura retribui o abraço, mas ao se afastar, franze a testa levemente.

LAURA
(baixo, para Gabriel, enquanto caminham para o carro)
Eu quero ajudar ela, Lucas… mas eu tô estranhando. Ela nunca falou do passado. Nada sobre família, irmãs… E agora essas acusações de 2012? Parece que tem um lado dela que a gente não conhece.

GABRIEL
(olhando sério)
Talvez a gente nunca tenha conhecido de verdade.

Laura assente devagar, a desconfiança crescendo nos olhos.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 03. INT. – APARTAMENTO SIMPLES DE MARIA DO ROSÁRIO – RIO DE JANEIRO – NOITE DE 6 DE JANEIRO.

Maria do Rosário entra carregando uma mala pequena, luzes baixas, o apartamento humilde mas acolhedor. Jarbas e os dois seguranças entram atrás, carregando sacolas.

MARIA DO ROSÁRIO
(cansada, mas firme)
Chega, meninos. Eu tô em casa agora. Vocês já fizeram demais. Podem ir descansar. Eu fico bem aqui sozinha.

JARBAS
(teimoso, cruzando os braços)
Dona Maria, com todo respeito, não dá. Depois do que aconteceu na estrada, a Fabiana tá solta. Ela sabe quem a senhora é. A gente fica. Pelo menos revezando na porta.

MARIA DO ROSÁRIO
(sorrindo, tocando o braço dele)
Vocês são uns anjos. Mas eu sou sertaneja raiz, Jarbas. Cresci em interior perigoso. Eu sei me virar. Vão pra casa de vocês, abraçar as famílias. Eu prometo ligar se precisar.

Os seguranças trocam olhares, relutantes. Jarbas suspira.

JARBAS
Tá bom. Mas o carro fica na rua. E qualquer barulho, a gente entra voando.

Maria ri, abraçando cada um. Eles saem. Ela tranca a porta, respira fundo, mas o alívio é misturado com solidão.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 04. INT. – GABINETE DO DELEGADO – DELEGACIA – NOITE DE 6 DE JANEIRO.

O delegado está ao telefone com Gabriel, que está em casa.

DELEGADO
(voz grave)
Gabriel, as provas batem. Fabiana é exatamente quem você disse: falsificou documentos da irmã, contraiu dívida em nome dela, levou à morte indireta. Mas… tentativa de homicídio na estrada não colou ainda. Placas falsas, carro alugado, pistoleiros sumiram. O advogado dela é tubarão. Conseguiram liberdade provisória. Ela tá solta.

GABRIEL
(cerrando o punho, voz baixa)
Solte? Depois de tudo?

DELEGADO
Provisória. Tornozeleira, proibição de deixar o estado. Mas vamos apertar. Fica esperto.

Gabriel desliga, frustrado.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 05. EXT. / INT. – RESIDÊNCIA DE OLÍVIA – PERIFERIA DO RIO – NOITE DE 7 DE JANEIRO.

Gabriel estaciona o carro discreto numa rua escura, longe das luzes. Uma casa modesta, isolada, numa área pobre da cidade. Ele observa de binóculo: Olívia chega de táxi, entra sozinha.

GABRIEL
(sussurrando)
Por que uma secretária de luxo mora aqui? Tão longe… E nunca foi nas festas da família.

Olívia, ao entrar, percebe um reflexo no vidro. Ela vira rápido, pega uma arma pequena na bolsa e sai novamente, aproximando-se do carro de Gabriel.

OLÍVIA
(abriendo a porta do motorista de repente, arma apontada)
Lucas… ou Gabriel. Sai do carro. Devagar.

Gabriel levanta as mãos, sai. Ela o encosta na parede da casa, arma no peito.

OLÍVIA
(voz fria)
Você me seguindo agora? Desconfiado de mim?

GABRIEL
(olhando firme)
Você sabe meu nome verdadeiro. E mora aqui, escondida. Nunca apareceu nas festas. Trabalha pra Fabiana há anos. Me diz por quê. Ok, eu vi você vindo pra esses lados e fiquei curioso.. Você sumiu.

Olívia hesita, baixa a arma devagar, mas os olhos duros.

OLÍVIA
Eu tenho meus motivos. Mas não sou inimiga sua. Ainda.

Gabriel não se mexe, desconfiança máxima.

GABRIEL
Olívia, você ficou sabendo que a Fabiana foi presa né? Mas já tá solta. Seja lá quem for de quem você está do lado, sua mascara pode cair também.

OLÍVIA
Acho melhor você cuidar dos seus planos. E deixa que eu cuido dos meus. Gabriel a gente só é parceiro de trabalho. Ou você para de me seguir, ou eu mesma vou contar pra Fabiana que você é o Gabriel. Não é isso? Eu não quero te fazer mal. Mas é melhor cada um cuidar da sua vida.

Ela sai. Ele respira fundo.
👁️👁️

CENA 06. INT. – APARTAMENTO BAGUNÇADO DE CARLOS – RIO – MESMA NOITE.

Carlos está bêbado, garrafas espalhadas, TV ligada no volume alto. Ele ri sozinho, falando com o reflexo no espelho.

CARLOS
(voz pastosa, olhos vidrados)
Feliz ano novo pra mim… Laura vai ser minha de novo. Aquele Lucas… Gabriel… seja lá quem for, vai pagar. Eu pego ela. Levo pra longe. A gente viaja, casa… ela vai ver que sou o melhor.

Ele pega uma foto antiga de Laura, beija, depois guarda numa mochila com cordas e fita adesiva. O olhar psicopata, planejando.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 07. INT. – AEROPORTO DO RIO / AVIÃO – MANHÃ DE 8 DE JANEIRO.

Fabiana beija Aloísio na área de embarque, mala pequena.

ALOÍSIO
(preocupado)
Fabi, espera a poeira abaixar. Não viaja agora.

FABIANA
(sorrindo doce)
Amor, é trabalho. São Paulo não espera. Volto em poucos dias. Prometo.

Eles se beijam. No avião, já sentada na classe executiva, Fabiana pega o celular escondido.

FABIANA
(na ligação, voz gelada)
Ele tá no Rio. Acaba com o Gabriel. Agora. Sem falhar.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 08. INT. – MANSÃO ALBUQUERQUE – NOITE DE 9 DE JANEIRO.

Laura está sozinha na suíte, funcionários de folga. Ela vê TV, relaxada. De repente, a porta do quarto abre devagar. Carlos entra, máscara no rosto, mas olhos reconhecíveis.

LAURA
(assustada, levantando)
Quem… Carlos?!

CARLOS
(voz abafada, avançando)
Calma, meu amor. A gente vai viajar juntos. Pra sempre.

Laura grita, tenta correr, mas ele a agarra.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 09. INT. – APARTAMENTO DE MARIA DO ROSÁRIO – MESMA NOITE.

Maria do Rosário está no sofá, olhando uma foto antiga de Janice sorrindo com um bolo de aniversário. Ela chora baixo.

MARIA DO ROSÁRIO
(sussurrando)
Hoje você faria 45 anos, mana… Saudade dói tanto.

Gabriel bate na porta, entra com uma flor simples. Abraça ela forte.

GABRIEL
Tia… eu vim te fazer companhia. Ela tá com a gente.

Os dois choram juntos, recordando histórias de Janice. Maria vai à cozinha fazer chá. Gabriel pega o celular, liga para Laura.

GABRIEL
(convite suave)
Oi, amor… Quer vir aqui? Tia tá precisando de companhia. A gente janta junto.

Ninguém atende. Ele tenta de novo. Nada.

GABRIEL
(preocupado)
Estranho… Ela não atende.

CORTA PARA:
👁️👁️

CENA 10. INT. – SUÍTE DE LAURA – MESMA NOITE.

Carlos acerta um golpe forte na nuca de Laura com um objeto pesado. Ela desmaia. Ele a carrega nos ombros, saindo pela porta dos fundos.

Na cama, o celular de Laura vibra sem parar – chamada de Gabriel. A tela pisca no escuro.

Tela escurece com o som do toque insistente.

                     FIM DO CAPÍTULO

Avaliação: 1 de 5.

Deixe um comentário